Realizou-se no fim-de-semana de 14 e 15 de Julho, o Open Internacional de F3A, em São Marino. Para além dos Campeonatos do Mundo e da Europa, se não me engano, esta foi a prova de F3A, das consideradas mais importantes no panorama Europeu da modalidade, onde participou pela 1ª vez uma equipa Portuguesa.
Esta reportagem pretende traduzir mais uma experiência e opinião pessoal, nestas andanças do F3A, do que propriamente uma coisa formal, de aspecto jornalístico, com todas as regras inerentes ao mesmo.
Por isso vamos à minha história.
Depois de muitos km percorridos (cerca de 2600), eis que chegamos a São Marino na sexta-feira dia 13. Eh lá Sexta 13 !?. Não, não houve azar nenhum, pelo menos nesse dia. Eu nem pensei nisso, tão entusiasmado que estava. É assim mesmo, entusiasmo acima de tudo é o que é preciso.
Afinal de contas esta era a 2ª vez que estava numa prova Internacional, fora do mapa Ibérico.
Neste dia deu para reconhecer o local da prova com dois voos de treino a cada um de nós. Como era à tarde apanhámos vento moderadamente forte, cruzado a 90º a empurrar o modelo para o piloto, vindo do Adriático, que se via à nossa frente. Para quem não sabe, São Marino fica perto de Rimini, na costa Italiana do Adriático.
A pista, em terra batida (), pertence ao AeroClube local, e fica na encosta de uma colina. Voa-se portanto na encosta com um vale à frente e uma belíssima vista sem dúvida. Calor era o suficiente, para fazer crescer água na boca, pelas areias e águas das praias do Adriático, lá bem ao fundo.
Sábado dia 14, 1ª Manga, manhã já a atirar para a tarde, vento moderado a forte, cruzado à pista, Bruno Heleno obtém 1567 pontos, António Costa 1535 e Rui Ferreira 1488. Venceu a Manga o Austríaco, Gerard Mayer (4º Classificado no último Campeonato da Europa de F3A na Suíça), com 1788 pontos.
Na segunda manga, realizada da parte da tarde, Bruno Heleno obtém 1645 pontos, António Costa 1539 e Rui Ferreira 1501 pontos.
No Domingo, dia 15, realizou-se a 3ª e última manga, começando pela manhã cedo, desta vez à hora prevista.
Não é normal, pelo menos nas provas efectuadas na Península Ibérica, serem efectuadas mangas com o sol dentro da Caixa, muito menos com o Sol bem de frente, na cara do Piloto, apanhando bem as figuras de centro. O regulamento internacional de F3A é claro neste aspecto: A prova deve ser suspensa desde que o Sol entre na Caixa de Voo. Parece que lá por estas paragens, os regulamentos internacionais, pelo menos neste aspecto, são apenas para “Inglês ver”, ou melhor dizendo, para “Português não ver” .
Havia condições para se voar transversal à pista e aterrar nela, como se tem feito quer em Portugal quer em Espanha. Pelo menos até agora esta é a realidade que conheço, e os meus colegas que já têm mais contacto internacional, para além de Portugal e Espanha, nunca viram em outras provas tal situação como esta.
Decidimos não dizer nada, pois parece que em alguns países do centro da Europa, esta prática é habitual e também porque estávamos ali a feijões e pela 1ª vez.
De qualquer das formas não digam depois que são os Países da periferia da Europa que não gostam de cumprir as normas ! Ah pois !?
Disponibilizaram aos pilotos um acessório chamado “Sun Screen” (tripé com disco opalino com cerca de 30 a 40 cm de diâmetro), que é fixado à frente do piloto, por forma, a que este não fique com o Sol directamente na cara.
Obviamente que para ficar sem o Sol, na cara, nas figuras de Centro, vai também deixar de ver o modelo em parte da sua trajectória, nestas figuras.
Fui o 1º, dos Portugueses a voar de manhã apanhando em cheio esta situação, nova para mim. De facto não me consegui adaptar convenientemente à situação, pois nunca tinha sequer experimentado o “Sun Screen”, nem em Portugal, nem em outro lado, mesmo em treino, só para ver como era. Daí que o voo tenha corrido mal e a pontuação baixou para 1467 pts.
Rui Ferreira, voou pouco tempo depois, também com este artefacto à frente e adaptou-se bem, embora já tivesse feito um voo de afinação de juízes com o Sun Screen no dia anterior. Obteve a sua melhor pontuação nesta 3ª e última manga, 1564 pontos.
Bruno Heleno, voou já sem o “Sun Screen”, pois o Sol já tinha saído da Caixa, e fez a sua melhor manga da prova, obtendo 1670 pontos.
Em relação aos estrangeiros, de salientar a vitória em todas as mangas e portanto na prova, do Austríaco, Gerard Mayer, ficando em 2º lugar o nosso conhecido Massimo Selva de São Marino, e em 3º lugar Nick Schadler do Liechenstein. Para além dos muitos Italianos presentes, a maior parte de muito bom nível, estiveram presentes também dois Polacos, Piotr Urbanski (13º) e Kristzof Urbanski (15º) e mais um representante do Liechenstein, o jovem e promissor, Stefan Kaiser (5º), que voou muito bem no seu Beryll eléctrico da última versão. O melhor Italiano foi Daniele Pelloni (4º), com o seu Angel S eléctrico.
Decepcionou um pouco, este ano, a não comparência de algumas estrelas do Top Mundial do F3A, que costumam aparecer nesta prova internacional, tais como Wolfgand Matt (LIE) e Sebastiano Silvestri (ITA), entre outros, bem como o nº de participantes, que em geral foi inferior ao de anos anteriores.
Voltando aos Portugueses, podemos dizer que a representação Nacional foi boa, ficando a sensação que poderia ter sido melhor, quer em termos colectivos, quer em termos individuais.
De salientar ainda o quadro dos Juízes da Prova, alguns já bem conhecidos a nível Internacional: Um de São Marino, um Italiano, um Checo, um Austríaco e um Português, o nosso Emanuel Fernandes.
É importante, não só para os Pilotos, mas também para os Juízes, adquirirem experiência e rodagem a nível internacional. Se queremos evoluir e evitar a estagnação, há que nos “incomodar” a nós próprios e sair do nosso canto, investindo mais em nós aderindo, mesmo que voluntariamente ou não, a estas provas internacionais. O contacto com outras realidades diferentes é fundamental.
Em termos de Pilotos, no final e após as 3 mangas, deitando-se a pior das três fora e aplicando as permilagens, Bruno Heleno acabou por ficar em 6º lugar com 938,30 pontos, Rui Ferreira em 12º com 884,77 e António Costa em 14º com 882,90 pontos.
De salientar que entre o 12º (884,77 pontos) e o 15º (881,71 pontos) distaram apenas 3 pontos.
Em termos da minha experiência pessoal, a 3ª manga e a permilagem final, atiraram-me do 11º lugar, obtido no final da 2ª manga, para o 14º posto no final da prova.
Há que aprender com os erros cometidos e com a inexperiência de adaptação a situações novas e nunca dantes testadas. Mas é para isso que servem estas provas e outras de âmbito internacional, com outros pilotos de diversas nacionalidades, outros ambientes, outros juízes, outras formas de organização de prova, etc, etc.
É a chamada “endurance”, que prova após prova, ano após ano, se vai adquirindo, ajudando um piloto de F3A a consolidar o seu nível de voo e o seu sentido competitivo, tornando-o mais consistente e a ter aquele espírito de “formiga”, que lentamente, por altos e baixos, levando o seu material às costas, vai andando e trilhando sinuosamente o seu caminho.
E analisando friamente os resultados, bem como a sua inserção no contexto competitivo recente, estes não deixam no entanto de ser altamente motivadores.
De seguida temos o Campeonato Nacional 2007, nos dias 14 e 15 de Setembro, que promete luta acérrima nas qualificações para o próximo Europeu de 2008, a realizar em Itália (Perugia) e o expoente máximo a que qualquer piloto de F3A aspira, que é a participação num Campeonato do Mundo, a realizar este ano, no próximo mês de Novembro (9 a 17), na Argentina. Lá estarei, pela 1ª vez a representar o nosso País em Campeonatos do Mundo, a mais de 12000Km de casa, ficando desde já prometida reportagem detalhada e com eventuais “updates” durante o Mundial, se houver condições informáticas para isso.
Até Breve
António Costa