Nos dias 15 e 16 de Setembro disputou-se na pista de aeromodelismo de Pombal o Open Internacional de F3A - Pombal 2007, prova inscrita no calendário FAI. Situada a meio caminho entre Lisboa e Porto a pista de aeromodelismo de Pombal parece ser a escolha acertada para este tipo de eventos. Apesar do tempo instável, não choveu, o vento manteve-se fraco durante toda a prova cumpriu-se o programa previamente estabelecido. Em seguida tentarei dar-vos a minha visão dos acontecimentos falando dos vários intervenientes e atribuindo-lhes uma classificação entre 0 e 10 valores.
 
ORGANIZAÇÃO
Esta prova foi organizada pela Federação Portuguesa de Aeromodelismo e pelo Clube de Aeromodelismo de Lisboa (CAL). Antes de relatar a actuação da Organização cumpre-me abrir um parênteses para reflectir sobre o panorama nacional do F3A. Todos sabemos que a nossa Federação tem sido largamente criticada na sua actuação por dirigentes de clubes e aeromodelistas que participam em competições. Então, no que respeita ao F3A, o que temos obtido da FPAm? Em 2004 foi organizado o Campeonato Europeu, todos os anos se realiza a Taça de Portugal, este ano a FPAm organizou este Open Internacional e prepara-se para organizar o Campeonato Mundial de F3A em 2009. E qual tem sido a resposta dos clubes? Cada vez menos concorrentes nas classes de Iniciação que compromete o futuro da competição em Portugal e cada vez menos participantes em provas. Meus senhores chegou a hora de pôr a mão na consciência e reflectir sobre estes e outros factos.
Com Abel Coelho (carinhosamente apelidado de Monsieur Lapin) a dirigir as operações, cumpriu-se o estipulado no Código Desportivo para competições internacionais. Nada foi deixado ao acaso e estava montada toda a logística para o bom andamento dos trabalhos. Houve pesagem dos modelos antes de se iniciarem os voos, o vento tinha a medição constante por anemómetro digital, os resultados eram prontamente informatizados e fornecidos aos concorrentes em poucos minutos pelo competentíssimo António Paulitos, tudo isto sob a atenta vigilância do presidente da FPAm João Loureiro de Sousa e do dirigente do CAL Pereira da Costa. De salientar o apoio do clube local que teve sempre presente elementos prontos a ajudarem no que fosse necessário.
 
 
Os almoços eram servidos no local de voo pela módica quantia de 5 a 6 euros (refeição completa) e na noite de sábado foi organizado um jantar convívio num restaurante aprazível próximo da zona onde os concorrentes estavam alojados. No final da prova foram oferecidas lembranças a todos os participantes e troféus aos vencedores.
Esperava-se a participação dos nuestros hermanos e chegou a estar anunciada a presença de um juiz internacional espanhol. Foi pena, porque os portugueses têm competido regularmente em Espanha e julgávamos que esta seria um boa oportunidade para os nossos amigos espanhóis gentilmente retribuirem. Com uma ligeira adaptação o velho ditado fica assim: De Espanha, nem pilotos, nem juiz!
Para o excelente trabalho da Organização 9 valores.
 
JUÍZES
Elementos essenciais para o êxito de qualquer competição desportiva, os juízes estiveram à altura das exigências duma prova desta envergadura. Nos últimos dez anos esta seria a primeira vez que o campeonato nacional de F3A teria duas provas oficiais. Esta prova sendo um Open Internacional tem um peso acrescido nas pontuações pelo que os pilotos iriam dar o seu máximo para conseguirem as melhores classificações possíveis. Talvez por isso a Organização teve o cuidado de providenciar um número maior de juízes para proporcionar um maior rigor na avaliação dos voos. Em número de cinco (facto inédito em provas nacionais) eram constituidos por: Emanuel Fernandes, João Roque, Mário Gomes, Daniel Costa e Pedro de Jesus. Os seus ajuizamentos não receberam a aprovação unânime dos pilotos, mas julgo que a sua actuação foi bastante positiva.
 
 
Para o bom trabalho dos Juízes 8 valores.
 
F3A-I (CLASSE INICIADOS)
Esta foi a classe com mais surpresas, mas infelizmente pela negativa. Apenas dois pilotos do Clube de Jovens Aerocalminhas (CJA) de Tomar !?! Este clube tem sido uma verdadeira escola de pilotos de competição e dele já sairam competidores para as três classes. Aliás, se olharmos com mais atenção verificamos que nesta prova o CJA foi verdadeiramente exemplar: foi o único clube com participantes nas 3 classes e ainda forneceu 2 juízes! Só peço ao CJA que não esmoreça e continue o bom trabalho que tem desenvolvido nesta área.
 
 
Quanto ao desempenho dos pilotos, direi que não foi brilhante. Apesar desta classe ser uma classe de iniciação e por definição não se poder esperar o nível de voo das outras classes, os pilotos têm de compreender que para se apresentarem numa prova têm de ter realizado algum trabalho de casa, isto é, devem treinar. Verifiquei que os dois concorrentes evidenciavam pouco treino do programa acrobático. Mesmo assim foi agradável ver que tanto o Alfredo Morgado com o António Luís estão a voar melhor do que na última prova realizada este ano em Tancos.
Para a classe F3A-I cujos pilotos têm de treinar mais, 6 valores.
 
F3A-N (CLASSE NACIONAL)
Nesta classe o panorama foi diferente. Houve emoção do principio ao fim com os pilotos a alternarem-se na vitória das mangas. Óscar Lopes venceu a primeira manga apenas a 9 pontos de Vítor Gandarela que venceu a segunda manga. Rui Pedro que até aí tinha sido terceiro arrancou duas importantes vitórias nas restantes mangas acabando por sagrar-se digno vencedor desta prova. João Santos Silva que há poucos anos era quase invencível nesta classe, foi um sombra do que nos vinha habituando não conseguindo ir além do 5º lugar atrás do recém-chegado João Ricardo.
 
 
Também aqui se aplica o que foi dito sobre a classe de Iniciados. Houve pouco treino por parte dos competidores. Pelo menos o nosso nível está muito abaixo dos nossos vizinhos espanhóis que usam o mesmo programa acrobático. Vou repetir o que já disse a alguns pilotos: eu acho que devemos investir mais na classe Nacional porque ela representa a fronteira para a classe de topo. Sem uma boa preparação dos pilotos na classe Nacional torna-se mais difícil a tarefa na classe superior - a classe F3A (FAI).
Para a classe F3A-N cujo nível deve subir, 7 valores.
 
F3A (FAI)
Foi a classe com maior número de competidores tendo-se atingido um novo máximo de 7 concorrentes, o que é muito bom para um país com a nossa dimensão. Bruno Heleno voltou às boas exibições depois dos momentos conturbados que o piloto viveu com o recente modelo Angel-S Evo ao qual teve dificuldade em adaptar-se. Voando o seu Lazulite Eléctrico, venceu com relativo à-vontade as quatro mangas.
 
 
Foi interessante seguir a luta pelo segundo lugar protagonizada pelos pilotos António Costa e Rui Ferreira. Este último que era desde há alguns anos eterno segundo lugar viu-se arredado para a terceira posição mercê do bom momento de forma de António Costa que sem fazer voos brilhantes conseguiu não cometer muitos erros. Rui Ferreira ainda ganhou a quarta manga a António Costa mas não chegou para alcançar a segunda posição. Vamos esperar pela reacção daquele piloto na próxima prova que se irá realizar em 13 e 14 de Outubro.
De terras de S. Majestade o Rei do F3A- CPLR chegou-nos o único concorrente estrangeiro presente neste Open. Ocupando o 11º lugar do ranking de França, Jean Claude L’Ostis voou um modelo a combustão Oxalis e presenteou-nos com voos de bom nível. No final da prova tive o prazer de conversar com o piloto que ficou muito agradado com a maneira como foi recebido, teceu elogios à organização, gostou do nível competitivo dos portugueses e queixou-se apenas da irregularidade do vento e de não ter tido tempo suficiente para se adaptar à pista.
Dos pilotos que ocuparam os três últimos lugares da classificação geral gostaria de salientar a subida de forma de Hélder Cabeça que a pouco e pouco vai atingindo o seu nível habitual. Couto Rosado desta vez não se deixou surpreender pelo João Santos que na prova realizada em Tancos lhe tinha “roubado” uma manga.
Pelos bons voos realizados pelos concorrentes do F3A, 8 valores.
 
RESULTADOS F3A-I
 
| Pos | Piloto | Voo 1 | Voo 2 | Voo 3 | Voo 4 | Total |
| 1 | Alfredo Morgado | 1000 | 1000 | 1000 | 1000 | 3000 |
| 2 | António Luís | 966,5 | 751 | 964,4 | 882,7 | 2814,5 |
 
RESULTADOS F3A-N
| Pos | Piloto | Voo 1 | Voo 2 | Voo 3 | Voo 4 | Total |
| 1 | Rui Pedro Mendes | 988,9 | 815,3 | 1000 | 1000 | 2988,9 |
| 2 | Óscar Lopes | 1000 | 754,9 | 930,1 | 988,2 | 2918,3 |
| 3 | Vitor Gandarela | 923,7 | 1000 | 914,3 | 979,9 | 2903,7 |
| 4 | João Ricardo | 749,1 | 614,5 | 705,7 | 857,1 | 2312 |
| 5 | João Santos Silva | 0 | 0 | 922,2 | 831,2 | 1753,4 |
 
RESULTADOS F3A
| Pos | Piloto | Voo 1 | Voo 2 | Voo 3 | Voo 4 | Total |
| 1 | Bruno Heleno | 1000 | 1000 | 1000 | 1000 | 3000 |
| 2 | António Costa | 921,4 | 928,6 | 953,6 | 923,7 | 2806 |
| 3 | Rui Ferreira | 912,6 | 905,7 | 930,8 | 940 | 2783,4 |
| 4 | Jean Claude L’Ostis | 897,4 | 893,4 | 913,9 | 894,1 | 2705,3 |
| 5 | Hélder Cabeça | 851 | 817,3 | 853,7 | 884,4 | 2589,5 |
| 6 | Couto Rosado | 669,2 | 666,3 | 686,3 | 660,7 | 2021,8 |
| 7 | João Santos | 557,2 | 536,9 | 588,8 | 627,5 | 1773,5 |