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Reportagem

1º Open Internacional de F3A-Seixal 2008

Fernando Heleno

O Campeonato Nacional de F3A teve o seu pontapé de saída no passado fim-de-semana. À secção de Aeromodelismo do Independente Futebol Clube Torrense coube a honra de inaugurar a presente temporada de competição F3A (Acrobacia Radiocontrolada com motor). Para tal, foi escolhida a pista Municipal do Seixal que serviu de palco ao 1º Open Internacional de F3A-Seixal 2008 disputado na tarde de sábado dia 24 e na manhã de domingo dia 25 de Maio. Esta prova que se pretendia internacional, acabou por transformar-se em mais uma prova de âmbito nacional uma vez que apenas contou com a presença de pilotos portugueses. A adesão ficou aquém das expectativas e desde há muito que não viamos uma prova com apenas duas classes. Nenhum piloto se inscreveu na classe que se esperava ser a mais concorrida por ser de iniciação e promoção da acrobacia de competição - a classe F3A-I (Classe de Iniciados). Da quase meia centena de clubes que fazem parte da Federação Portuguesa de Aeromodelismo, apenas o Clube de Jovens Aerocalminhas de Tomar vinha apresentando concorrentes na classe F3A-I. Este ano em virtude da data da prova coincidir com a época de exames, o número de participantes do referido clube foi mais reduzido. Uma vez mais voltamos a fazer a pergunta: o que é que os restantes clubes têm feito em prol da competição? Onde estão os seus associados potenciais candidatos à competição e que pelo menos deveriam tentar a experiência de uma participação na classe de Iniciados?

Organização

A dupla José Ramos e Luis Nabais não deixaram os seus créditos por mãos alheias e confirmaram uma vez mais que são dos melhores a organizar este tipo de eventos. Impecáveis na condução dos trabalhos, simpatia e rigor q.b. souberam responder com eficácia às dificuldades surgidas devido às más condições meteorológicas. Foram incansáveis na divulgação deste evento e no apelo à participação dos praticantes de aeromodelismo radiocontrolado. De louvar a transparência com que efectuavam a divulgação dos resultados, entregando aos concorrentes as folhas de pontuações de cada um dos cinco juizes. Os totais parciais eram afixados após cada manga e os mesmos podiam ser consultados on-line em tempo real. Um exemplo a seguir. Foi disponibilizado a a todos os presentes um serviço de bar permanente. Não fora dois pontos que achamos menos positivos e diriamos que o trabalho da secção de Aeromodelismo do IFCT foi perfeito. A saber: 1 - a não existência de sanitários 2 - não ter sido oferecido a cada concorrente uma lembrança pela sua participação (uma medalha alusiva, um brinde simbólico, etc...). Para o bom trabalho da organização: 8 valores.

Juizes

Parte integrante da competição, os juízes Emanuel Fernandes, Mário Gomes, Daniel Costa, João Roque e Pedro de Jesus corresponderam em absoluto ao que deles era exigido: competência e rigor. Sob o olhar atento do júri da prova - o Presidente João Loureiro de Sousa, não se registaram quaisquer protestos nem reclamações. Como é habitual em competição houve quem não ficasse satisfeito com as pontuações de um ou outro juiz, mas no cômputo geral os pilotos consideraram positiva a actuação dos juizes.

Para o bom trabalho dos juizes: 9 valores

F3A-N (Classe Nacional)

Com apenas três pilotos inscritos assistimos com agrado à estreia de dois concorrentes da região norte. Diogo Surrador e Valter Silva ambos da Liga de Aeromodelismo do Câvado competiam pela primeira vez em F3A e obtiveram prestações de bom nível. Mostraram estar muito à-vontade na execução do novo programa de acrobacia e deram boa réplica ao veterano João Santos Silva que outrora dominava a seu bel-prazer esta classe e que agora se viu arredado para a terceira posição. Esperamos uma reacção rápida deste piloto para tornar esta classe mais competitiva e com um nível semelhante ao dos nossos vizinhos espanhois. Diogo Surrador utilizou um modelo a combustão - Matrix da CA Model. Valter Silva voou o Inspire 90 da Flinton equipado com um motor eléctrico. João Santos Silva trouxe para esta prova três modelos, dois eléctricos (Element 30 da Flinton e Epsilon 90 da CA Model) e um a combustão (Venus 40 da Great Planes). Os dois pilotos nortenhos dividiram entre si as vitórias nas mangas estando sempre muito próximos com menos de 70 pontos a separá-los em cada voo. Estes pilotos necessitam de dedicar muito mais tempo e esforço para melhorar o nível dos voos.

Para a classe F3A-N: 7,5 valores

F3A (FAI)

Esta foi sem sombra de dúvida a grande sensação desta prova. Com um número record de participantes, equipados com rádios e aviões topo de gama com particular destaque para os Futaba T14 Mz de Hélder Cabeça e António Costa (2,4 GHz) e o Spektrum AX7 (2,4 GHz) de Vitor Gandarela assim como um lote impressionante de aviões da Oxai sobretudo Beryll, Aries e Zeque EP! Foi a primeira vez na história da competição nacional que uma prova oficial teve nove concorrentes na classe F3A (FAI). Estão reunidas as condições para que finalmente Portugal dê o tão desejado salto qualitativo que trará aos nossos pilotos reconhecimento internacional. Já temos tudo, bom equipamento, bons juízes, bons pilotos e pelo menos 3 provas oficiais; só falta empenhamento que aqui é sinónimo de muito treino e dedicação. Não podemos dizer que se observaram voos de nível superior. Julgamos que isso acontecu devido às más condições atmosféricas (vento forte cruzado), à mudança do programa acrobático (era a primeira vez que se voava o programa P09) e ao facto de alguns pilotos não terem tido tempo suficiente para se adaptarem aos seus novos aviões.

Desde muito cedo o conjunto de concorrentes ficou dividido em dois grupos com um quarteto de pilotos constituído por Bruno Heleno, António Costa, Rui Ferreira e Hélder Cabeça a destacar-se dos restantes competidores. Enquanto que Bruno Heleno foi paulatinamente ganhando cada uma das 4 mangas, dois pilotos lutavam pelo segundo posto. António Costa e Rui Ferreira ficaram em segundo lugar nas 1ª e 2ª mangas, respectivamente. Nas restantes mangas o nosso herói do Mundial da Argentina faz vingar os seus créditos e, por isso, ainda não foi desta vez que Rui Ferreira recuperou a segunda posição. Hélder Cabeça é um piloto em nítida subida de forma e estamos convencidos que nas próximas provas vai mostrar todo o seu valor. Do 5º ao 9º lugar assistiu-se a uma luta renhida sobretudo entre os estreantes Rui Pedro, Vitor Gandarela e Óscar Lopes. Foi interessante voltar a ver o despique entre os dois pilotos que no ano passado foram protagonistas do duelo mais emocionante da competição F3A. Lembramos que Rui Pedro e Óscar lopes terminaram em 2007 empatadissimos na classe F3A-N. Nesta prova Rui Pedro levou a melhor sobre Óscar Lopes, mas não nos esqueçamos que ainda há mais duas provas este ano. Vitor Gandarela merecia o prémio de mais lutador porque conseguiu roubar o 7º lugar a Couto Rosado por apenas 7 décimas de ponto!

Para a classe F3A: 8 valores.

E assim se fez a história deste 1º Open Internacional de F3A-Seixal 2008. Desejamos a todos, bons treinos e o reencontro está marcado para 28 e 29 de Junho em Alverca.

Com alegria vimos no público elementos do PCR

Serviço de Bar Permanente

O novo programa acrobático nacional (F3A-N)

O Director da Prova José Ramos examina o modelo de Bruno Heleno

A prova decorria sob o olhar atento do Juri João Loureiro de Sousa

Zeque EP de Hélder Cabeça. Por muitos considerado o avião mais sexy da Oxai

Couto Rosado aguardando a sua vez de voar

Vitor Gandarela e o seu Beryll na ready-box

Representantes do poder autárquico (Câmara e Junta de Freguesia)

Vencedores da classe Nacional. 1: Valter Silva 2:Diogo Surrador 3:João Silva

Vencedores da classe F3A (FAI). 1-Bruno Heleno 2-António Costa 3-Rui Ferreira