A realização da consagrada prova de F3A da Federação Portuguesa de Aeromodelismo denominada “Taça de Portugal F3A” esteve este ano a cargo do Clube de Aeromodelismo de Alverca do Ribatejo (CAAR). Esta prova estava inscrita no Calendário Nacional de Provas e foi marcada para os dias 28 e 29 de Junho na Pista da Base Aérea de Alverca. Apesar de ser a primeira vez que o CAAR organizava um evento desta natureza não se verificaram falhas dignas de registo. A acessibilidade e pragmatismo do Director da Prova - Rui Fonseca - contribuiram em grande parte para o êxito deste importante acontecimento aeromodelistico.
Foram cumpridos os Regulamentos do Código Desportivo Nacional e foi com satisfação que comprovamos que após o registo dos pilotos, os modelos eram submetidos a uma inspecção na qual constavam a pesagem e verificação do nível de ruídos antes do voo. A área de voo estava correctamente delimitada pelas respectivas bandeiras e marcação na pista. Julgamos que o presidente da FPAm a quem era atribuída a função de Júri no Regulamento Particular da Prova, foi substituido/representado (?) por Pereira da Costa. Não conseguimos comprovar este facto junto da organização. De qualquer modo felicitamos o CAAR pelo bom trabalho realizado.
Para a organização: 7 valores.
Juízes
Damos as boas-vindas ao juíz Manuel Cunha que fazia a sua estreia nesta prova. Mostrou ter perfil para num futuro próximo estar ao nível dos seus colegas mais “velhos” Emanuel Fernandes, João Roque e Daniel Costa. Estes Juízes Internacionais formavam com Manuel Cunha e Pedro de Jesus a equipa que foi responsável pela avaliação do desempenho dos pilotos. Louvamos uma vez mais a atitude da organização de revelar com transparencia os números dos juizes. Achamos útil fazermos uma breve reflexão sobre o trabalho dos juízes numa prova de F3A. Num passado recente os pilotos não sabiam quem era o juiz 1, 2 ou 5. Nem tampouco sabiam quais as pontuações atribuidas por cada juiz. Actualmente é-lhes facultada a informação das pontuações que cada um dos juizes (devidamente identificados) atribui às manobras de cada voo. O programa informático ainda efectua o cálculo do desvio das pontuações de cada juiz em relação à média.
Exemplificando: o piloto X obteve na manga Y as seguintes pontuações; juiz 1=490 pontos, juiz 2=470, juiz 3=430, juiz 4=478 e juiz 5=463 pontos. O programa calcula que o desvio de cada juiz em relação à média das pontuações foi a seguinte: juiz 1= +5,1, juiz 2= +0,8, juiz 3= -7,3, juiz 4= +2,5 e juiz 5= -0,7. Este pormenor permite entre outras coisas verificar se a diferença de critérios na avaliação das manobras é muito grande e em casos raros (felizmente) saber se há alguma preferência de um determinado juiz para um determinado piloto. Exemplificando: o juiz nº3 sistematicamente está com um desvio negativo (cerca de 3 ou 4 pontos) para todos (ou quase todos) pilotos. Isto não faz dele um mau juiz. Dá notas baixas mas é coerente na sua avaliação. Se este mesmo juiz para um determinado piloto tiver sistematicamente um desvio significativamente positivo então poder-se-á pensar que estamos perante um critério desigual e consequente favorecimento do piloto Z.
Esperamos assim ter contribuido para aliviar pensamentos negativos que por vezes certas expressões faciais (.. e não só) de alguns pilotos nos deixam adivinhar.
Para o bom trabalho dos Juizes: 8 valores
F3A-I
Pouco há a dizer em relação à classe de Iniciação à acrobacia tambem conhecida por F3A-I(niciados). Foi com enorme satisfação que saudamos o regresso daquele que em nossa opinião foi o piloto mais simpático dos últimos 5 anos. Se o leitor pensa que exageramos fazemos-lhe o desafio de assistir a uma prova do pequeno Dinis Silva e verificar por si o sorriso omnipresente e a boa-disposição permanente deste piloto do Clube de Jovens Aercalminhas. Foi pena não termos visto nesta prova um outro piloto do CJA que em simpatia é quase irmão-gémeo do Dinis. Referimo-nos ao António Luis que por razões que desconhecemos não participou nesta prova. O nível dos voos do Dinis Silva reflectiu a sua falta de ritmo competitivo.
Para a classe F3A-I: 6 valores
F3A-N
Julgávamos que também iriamos ter apenas um piloto nesta classe mas em boa hora surgiu um reforço vindo da classe de Iniciados . Alfredo Morgado na sua primeira participação na classe nacional, mediu forças com o veterano João Santos Silva. A experiencia deste último veio ao de cima e foi com naturalidade que ganhou três mangas sem executar voos deslumbrantes. Continuamos a verificar com tristeza a fraca evolução daquela que julgavamos ser a classe em que os pilotos mais deveriam de apostar.Não podemos ter bons pilotos na classe Internacional se não tivermos bons pilotos na classe Nacional. A história recente do F3A português comprova de forma categórica este facto. Os melhores pilotos portugueses de F3A (Bruno Heleno, Rui Ferreira, António Costa e Hélder Cabeça) foram excelentes pilotos na classe Nacional. Um exemplo disso foi o 3º lugar de Hélder Cabeça no Open Internacionl de Zamora em 2002.
Para a classe F3A-N: 6 valores
F3A (FAI)
Esta é a classe do nosso contentamento! Com um número satisfatório de concorrentes, apreciámos uma evolução positiva na qualidade dos voos. Rui Ferreira parece ter recuperado a boa-forma de outrora e averbou com todo o mérito um retumbante segundo lugar. Este piloto conseguiu fazer tremer o campeonissimo Bruno Heleno quando na primeira manga ficou a escassos 15 pontos. António Costa acusou o facto de não ter inserido no seu programa de treinos uma ida à Base Aérea de Alverca porque sentiu algumas dificuldades de adaptação ao terreno com o seu Aries. Depois de afinar os batimentos do seu avião, conseguiu ganhar duas mangas ao Rui Ferreira mas já era tarde para recuperar o segundo lugar. Couto Rosado, Rui Pedro Mendes e João Paulo Santos iam protagonizando duelos interessantes mais abaixo na tabela classificativa. O saldo foi positivo para os pilotos Couto Rosado e João Paulo Santos que nesta prova se aproximaram muito de Rui Pedro Mendes.
Para o excelente desempenho dos pilotos: 8 valores
Foi sem dúvida excitante ver como os pilotos encarnaram o verdadeiro espírito da Taça de Portugal que permitiu criar em nós uma empolgante expectativa para a 2ª prova do Campeonato Nacional de F3A nos dias 19 e 20 de Julho em Pombal.
Uma última palavra de agradecimento ao Sr. Comandante da Base Aérea de Alverca que agraciou-nos com a sua presença na cerimónia de entrega de prémios desta edição da Taça de Portugal de F3A.
 Vencedores da classe F3A (FAI): 1º - Bruno Heleno 2º - Rui Ferreira 3º - António Costa
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