No aeródromo da bonita povoação de Saint Yan no sudeste da França, decorreu o 24º Campeonato do Mundo de F3A. Foi o campeonato mais competitivo de sempre, não só pelo número recorde de participantes (112 pilotos de 42 países) como pelo elevado nível demonstrado pelos concorrentes, mesmo com o facto de metade da prova ter sido disputada sob condições atmosféricas adversas com muito vento cruzado, chuva e frio.
Utilizou-se o modelo standard para eventos internacionais, que para os leitores menos informados passo a descrever. Antes do início da prova, um grupo de peritos verifica se os modelos obedecem às regras estabelecidas pelo Comité Internacional (CIAM), nomeadamente em relação ao peso (<5 kg) e ao tamanho (<2 m). Em seguida é permitido aos pilotos efectuarem voos de treino no local onde irá decorrer a prova. Segue-se então a Cerimónia de Abertura, os Voos Preliminares, a Semi-Final e a Final , a Cerimónia de Encerramento e o Banquete.
Cerimónia de Abertura
 Desfile da equipa portuguesa
| |
A banda militar abriu com pompa e circunstância este 24º Campeonato Mundial de F3A. Depois do desfile das equipes seguiram-se os habituais discursos das várias entidades presentes após o que, o presidente da CIAM, Mr. Bob Skinner declarou oficialmente aberta a competição. Esta cerimónia encerrou com um festival aéreo pela equipa de acrobacia da Base Aérea de Saint Yan. Os participantes confraternizaram num barbecue oferecido pela organização.
Voos Preliminares
 Equipa portuguesa
| |
Nos quatro primeiros dias de competição cada piloto efectuou um voo do programa de acrobacia P05. Um grupo de cinco juízes (diferentes em cada dia) pontuava cada voo efectuado. A soma dos pontos dos três melhores voos ditava quem iria passar à fase seguinte.
Bruno Heleno teve um comportamento brilhante efectuando voos de bom nível e conseguindo classificar-se na 42ª posição. Esta foi a sua segunda participação em Campeonatos do Mundo e conseguiu melhorar em dois lugares a sua anterior classificação. Utilizou o seu modelo Lazulite com motorização eléctrica.
Rui Ferreira quedou-se pela 83º posição. Não conseguiu fazer os bons voos que vinha realizando nos treinos, devido às más condições atmosféricas e também ao facto de estar a voar com um modelo novo a que ainda não se adaptou convenientemente. Espero que no futuro consiga mostrar todo o seu real valor.
Hélder Cabeça não tinha ambições de conseguir uma boa classificação. Era a sua primeira participação em provas desta envergadura e apenas pretendia ganhar experiência. Não surpreende por isso o seu 103º lugar. Tenho a certeza de que a sua próxima participação vez será muito diferente.
Semi-Final e Final
Não houve surpresas no apuramento dos pilotos que passariam à fase seguinte. Como tem sido habitual os pilotos franceses, americanos e japoneses dominaram a prova, apenas com a família Matt a interpor-se entre eles. Ganhou Christophe Paysant Le-Roux revalidando pela quarta vez consecutiva o título que já lhe pertencia. Em segundo lugar ficou o jovem piloto japonês Tetsuo Honda e em terceiro lugar o piloto do Liechtenstein, Roland Matt.
Por equipas venceu o Japão seguido pelos Estados Unidos da América e o Liechtenstein.

Os vencedores por equipas
|
|

Os vencedores desta edição do Campeonato Mundial de F3A
|
|
Cerimónia de Encerramento e Banquete
Sem a pompa da Cerimónia de Abertura o encerramento deste 24º Campeonato começou com uma demonstração de acrobacia de aviões reais efectuado por um CAP 232 e por um avião biplano dos anos 40. Em seguida procedeu-se à entrega dos prémios e à passagem de testemunho ao pais organizador do próximo Campeonato Mundial - a Argentina.
O Banquete estava inicialmente marcado para as 20 horas mas só foi servido às 22 e 30 h. Com uma ementa que não agradou à maioria dos presentes, foi muito moroso e grande parte dos presentes saiu sem comer a sobremesa.
Considerações finais
Não podia terminar este artigo sem me referir aos restantes elementos da comitiva portuguesa.
Luísa Ferreira ilustre Chefe de Equipa (Team Manager) revelou-se uma vez mais elemento fundamental para que tudo corresse bem aos pilotos portugueses. Foi incansável no apoio aos concorrentes portugueses. Sempre bem informada sobre o rumo dos acontecimentos ia orientando a equipa com sé ela sabe.
Emanuel Fernandes, Juiz Internacional, mostrou todo o seu potencial de bom julgador confirmando a confiança que nele depositam os organizadores dos países responsáveis pelos vários eventos internacionais. Um orgulho para todos os portugueses. Para ele o meu sincero aplauso.
Apesar de ter realizado um bom trabalho, a organização deste evento não fica isenta de críticas. Alguns episódios de manifesto caseirismo que contrastava com outros de rigor excessivo de que é exemplo o facto de levantarem problemas porque as letras da licença desportiva nacional do avião do Rui Ferreira tinham menos 1 mm (sim um milímetro!) do que o regulamentado; a confusão gerada pelas constantes interferências nas frequências dos 35 Mhz que custaram a destruição do modelo da equipa do Equador e de que Rui Ferreira se livrou por uma um triz mas que ditou o abandono do piloto austríaco Markus Zeiner.
 F. Heleno com o campeão europeu Roland Matt (NE: Reparem na T-Shirt! FORÇA rcPORTUGAL :-)
|
Classificação Individual
| Pos | Piloto | País
| Pontos |
| 1 | PAYSANT-LE ROUX Christophe | França | 3000 |
| 2 | ONDA Tetsuo | Japão | 2867 |
| 3 | MATT Roland | Liechtenstein | 2866 |
| 4 | HYDE Gordon | USA | 2805 |
| 5 | MATT Wolfgang | Liechtenstein | 2794 |
| 6 | PAYSANT-LE ROUX Benoît | Fança | 2766 |
| 7 | AKIBA Yoichiro | Japão | 2760 |
| 8 | SILVESTRI Sebastiano | Itália | 2739 |
| 9 | SHULMAN Jason | USA | 2738 |
| 10 | BESCHORNER Bernd | Alemanha | 2733 |
| | ... | | |
| 42 | BRUNO HELENO | Portugal | 2442 |
| | ... | | |
| 83 | RUI FERREIRA | Portugal | 2127 |
| | ... | | |
| 103 | HÉLDER CABEÇA | Portugal | 1833 |
Classificação por Equipas
| 1 | JAPÃO |
| 2 | USA |
| 3 | LIECHTENSTEIN |
| | ... |
| 27 | PORTUGAL |